Compota de Jambo Este doce, dona Jerônima Barbosa Brito (da Fazenda São Jerônimo, em Soure, Marajó) fez assim: lavou bem 2 kg de jambo vermelho, tirou as pontinhas e deixou mergulhados numa tigela com água e umas colheres de suco de limão até terminar de preparar todos. Fez, então, uma calda com 1 xícara de açúcar e meio litro de água. Assim que ferveu, juntou o jambo. Cozinhou até a calda ficar grossa como mel (em fogo bem baixinho, demorou mais ou menos 3 horas). Às vezes coloca folhas de cravo e de canela, mas não precisa. Como não é muito açucarado, mantém sempre na geladeira. Com queijo marajoara, um requeijão feito de leite de búfala, fica divino.
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| Primeira safra. Marcos apreciando e se despedindo, em Fartura - SP |
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| Flores de jambo, em Fartura |
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| Chão tingido pelas flores de jambeiro em Manaus - AM |
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| Os jambos de Fartura, que não comi |
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| O único fruto de Fartura |
Da família das pitangas, grumixamas, gabirobas e uvaias, a das Mirtáceas, o jambo é nativo do leste da Índia e Malásia e é hoje é cultivado em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil. Nunca vi tanto jambo como em Acrelândia, no Acre. No Marajó também tem bastante, porém, desta vez cheguei tarde. Aliás, meus encontros com o jambo são feitos de desencontros. Ou estou eu, ou está ele. Às vezes, só um anúncio ou um sinal de passagem. Em Acrelândia, a safra ainda não tinha começado. Só encontrei um pé precoce, embora quase todo quintal por lá tenha um jambeiro. Ao Marajó, cheguei quando a safra já tinha acabado. E, em Fartura, plantamos uma muda e acompanhamos ano a ano ansiosos pelas flores que tingem o chão. Em maio, a terra ao redor ficou rosa e os primeiros frutinhos despontavam - conseguimos colher um maduro. Quando isto aconteceu, vendemos o sítio e bye bye jambos. Mas, tudo bem, vão-se os frutos frescos, ficam os doces.Como o marajoara tem frutas diferentes para todos os meses do ano, não há o costume, portanto, de fazer compotas e geleias, prática europeia para garantir provisão no inverno. Mas Dona Jerônima, embora seja uma marajoara autêntica, viveu muito tempo no Rio de Janeiro e em Santos - SP e não desperdiça nada. Tem o freezer sempre cheio de polpas, compotas, geleias e doces em pasta. E deixa no freezer, que é mais garantido, já que não gosta de abusar do açúcar.
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| Os de cima e os da bacia, são de Acrelândia - AC |
Mais sobre a planta: no Brasil são três as espécies mais conhecidas de jambo. O jambeiro vermelho ou jambeiro encarnado (Eugenia malaccensisLinn.) é o mais cultivado para fins comerciais. O jambeiro branco (Eugenia aquea ou Jambosa aquea) tem frutos pequenos, brancos e quase insípidos. O jambeiro amarelo ou rosado (Eugenia jambosa Linn. ou Jambosa vulgaris, DC) tem frutos amarelos matizados de rosa com polpa pouco suculenta, perfumada e algo ácida. Eu gosto de todos, pela textura, um pouco de pera, outro tanto de maçã, mas especialmente pelo perfume floral que lembra rosas (para alguns, sabonete).
O jambeiro vermelho, o que encontrei em Acrelândia e em Soure, é uma árvore grande que pode chegar a 15 metros de altura. Tem copa de formato cônico-alongado e farta ramificação, com folhagem densa e verde lustrosa. As flores de cor rosa-púrpura são pouco visíveis já que ficam reunidas no interior da copa, porém o chão embaixo de um jambeiro em flor vira um tapete bonito de se apreciar, tal é o colorido vivo dado pelos estames e pétalas caídos. O fruto é do tipo drupa de formato ovalado ou arredondado com pele fina e macia, cor-de-rosa forte ou vermelho escuro. Dos três tipos é o mais apreciado por ser carnoso, provido de polpa branca, suculenta e crocante. Pode ter ou não semente.
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