Lugar onde hoje é o Lago Paranoá foi uma vila na construção de Brasília
O
Lago Paranoá em Brasília esconde segredos e tesouros. Olhando o espelho d’água
de 38 quilômetros quadrados não se pode imaginar o que tem no fundo. Para contar
essa história, é preciso voltar na época da construção de Brasília. Pouco mais
de 50 anos atrás.
Em
1959, os operários que trabalhavam na obra do Congresso Nacional e dos
Ministérios moravam em uma vila chamada Vila Amaury, nome de um dos engenheiros
envolvidos na aventura da construção da nova capital. Era uma vila “dormitório”
onde 16 mil pessoas tinham apenas o domingo para descansar da rotina pesada nos
prédios que eram erguidos freneticamente dia e noite.
Mas
o vilarejo era provisório. Os moradores foram avisados pelos engenheiros que a
vila acabaria – seria inundada quando fosse formado o Lago Paranoá. A represa no
Rio Paranoá seria inaugurada em breve. E a água chegaria com o tempo.
Luiz
Rufino Freitas era morador da Vila Amaury. “Era o lugar da “peãozada”, relembra.
“Tinha uma rua comprida, comércio e bares e, nos fins de semana, serviço de
auto-falante pra pedir música”, diz, saudoso. Hoje, com 70 anos, Seu Luizinho,
como é conhecido, conta que veio de longe, atraído pela promessa de trabalho e
dinheiro farto.
Tinha
19 anos, assim como grande parte dos pioneiros: “Peguei um pau de arara em
Piancó, na Paraíba e vim parar aqui. Tô até hoje”. Ele lembra do dia em que as
casas foram submersas:“ A vila não desocupou. A água foi subindo e aqueles que
viam a água chegando perto da casa, iam embora. Levavam o que queriam
levar.”
Repórter
Claudia Bomtempo se prepara paramergulho no Lago Paranoá
(Foto: Francisco Almeida/TV Globo Brasília)
Não
há documentação sobre o tempo em que os pioneiros moravam no que hoje é só água.
Mas a vila submersa continua alimentando a curiosidade de alguns moradores de
Brasília.
É
o caso do mergulhador Ricardo Santos: “a gente sempre vem aqui. Voltar ao
passado na construção de Brasília”. Apaixonado pelo Paranoá, ele guarda em casa
objetos que achou no fundo do lago, onde ficava a vila. Vidros, panelas, pratos,
xícaras e restos de construção da época.
A
repórter do Jornal Nacional Claudia Bomtempo mergulhou menos de 10 metros para
encontrar a primeira parede que tombou com o tempo. Os tijolos estavam intactos.
Foi possível identificar o piso das casas, as antigas tubulações. Uma vasilha de
metal enferrujada, restos de um sapato, vidros que nos levam para o passado. Uma
vila inteira, submersa onde hoje fica o Lago Paranoá.

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